Ter braços bonitos e definidos é o objetivo de muitas mulheres que, a partir dos 40 anos, percebem que, aos poucos, essa região do corpo vai perdendo tônus. O motivo é simples: as mudanças hormonais associadas à perimenopausa, bem como a perda gradual de massa muscular causada pela sarcopenia, fazem com que muitas mulheres encontrem motivação para treinar a parte superior do corpo com dedicação.
Mas atenção, pois entre esses objetivos não está mais apenas a aparência, mas também a saúde e a qualidade de vida, que ganham cada vez mais importância para enfrentar os próximos anos cheios de energia, pensando em um futuro a longo prazo.
Jorge Lobo, treinador e fundador da Piko Studios, explica neste artigo que essa mudança reflete uma forma diferente de entender o exercício. “Há cada vez mais interesse em ter uma boa aparência, sim, mas também em se sentir forte, ágil e funcional. Ter braços fortes não é mais associado a parecer grande, mas a ter um corpo mais equilibrado, com melhor postura e maior capacidade física no dia a dia”.
E é que, como dizíamos, o objetivo vem evoluindo. Em vez da busca por um físico extremamente magro, cada vez mais mulheres priorizam ganhar força para se movimentar melhor, prevenir incômodos e manter a autonomia com o passar dos anos.
O especialista resume assim: “Sim, claramente estamos vendo uma mudança. Hoje, muitas mulheres buscam um corpo com mais energia, mais estabilidade e maior capacidade física. O foco está mudando para se sentir melhor, prevenir incômodos e construir um corpo que responda bem com o passar dos anos, e não apenas para um resultado estético”.
Essa mudança também contribuiu para desmistificar um dos grandes mitos do treinamento de força feminino: o medo de ganhar músculos em excesso. Segundo Lobo: “O principal erro é evitar completamente o treinamento de força ou usar sempre pesos excessivamente baixos por medo de ganhar volume demais. Ganhar uma grande quantidade de massa muscular não acontece tão facilmente”.
Não é por acaso que vemos cada vez mais vídeos no Instagram de exercícios para os braços voltados para mulheres dentro da disciplina do Pilates; afinal, esses exercícios trabalham constantemente a musculatura dos braços, mesmo que os movimentos pareçam simples e suaves.
Mas não devemos nos deixar levar pelas redes sociais e pelos famosos “Pilates arms” que tanto temos visto nos Reels ou nos vídeos do TikTok; braços definidos são muito mais do que isso. “Nas redes sociais, muitas vezes se vende a ideia de que existe um tipo de braço ‘pilates’ diferente dos demais, e isso não é totalmente verdade. A definição muscular depende de muitos fatores: treinamento, alimentação, descanso, genética e composição corporal geral. Não existe um exercício mágico que mude apenas uma região do corpo”, diz o treinador.
“O Pilates trabalha muito o controle muscular, a estabilidade e o tempo sob tensão. Em muitas aulas, os braços estão constantemente ativos, mesmo que o movimento pareça pequeno. Além disso, costuma combinar resistência leve, mobilidade e controle postural, algo que muitas mulheres consideram mais sustentável do que outros treinos mais intensos”, acrescenta.
Além do trabalho muscular, Lobo destaca outro efeito muito valorizado por quem pratica essa disciplina: o fato de que ela também contribui para melhorar significativamente a consciência corporal e a postura: “Quando o corpo fica melhor posicionado, os braços também parecem mais esguios visualmente”, diz ele.
“O Pilates trabalha muito com o tempo sob tensão e com a manutenção de contrações musculares contínuas. Mesmo que o peso seja pequeno, o músculo praticamente não descansa”, acrescenta.
No entanto, embora praticar Pilates seja ótimo, o ideal é combiná-lo com exercícios de força, já que há cada vez mais evidências de que esse tipo de treinamento é fundamental para a saúde. Hoje em dia, estamos mais conscientes e contamos com mais evidências científicas sobre como um corpo forte pode nos ajudar a ganhar anos de qualidade de vida. “Desde carregar sacolas ou malas com mais facilidade até proteger as articulações, melhorar a postura ou manter a autonomia com o passar dos anos. A força na parte superior do corpo também influencia na estabilidade geral do corpo e na saúde óssea, algo especialmente importante para as mulheres a partir de certa idade”, diz o treinador.
Com os halteres, “você desenvolve massa muscular, protege as articulações e mantém um corpo forte a longo prazo. Também é fundamental para prevenir a perda muscular”. Afinal, o treinamento de força é uma das ferramentas mais eficazes para proteger a saúde a longo prazo.
Manter uma boa massa e força muscular contribui para preservar a autonomia com o avanço da idade, melhora a saúde óssea e metabólica e reduz o risco de doenças crônicas. De fato, esse exercício está associado a um risco entre 10% e 17% menor de mortalidade por todas as causas, doenças cardiovasculares, câncer e diabetes.